Por que você faz cinema? (Ou qualquer coisa que seja?)

Sempre fui questionadora. Segui a lógica, procurei respostas. Quanto mais fundo cavei, mais percebi que o buraco não tinha fim. Não há respostas. Entretanto, continuo buscando a lógica. E a lógica muitas vezes é um grande peso sobre a ação criativa. Achei que tinha fechado esse tema na minha vida. Mas como eu disse antes, não existem respostas e acabamos por aceitar discursos temporários para acalmar os nossos espíritos. Acabei então me perguntando: Escrever pra quê?

Para aprender, talvez.
Escrevo porque fui alfabetizada. E porque com isso desenvolvi a habilidade de falar com os outros falando comigo mesma.

Escrever supõe comunicar.

Se não com os outros, ao menos comigo mesma. Fixar ideias. Refletir. Seguir um pensamento até onde ele puder me levar.
Escrever pra vender. Pra ganhar aplausos. Escrever pra deixar uma marca. Como se todos os meus outros rastros não fossem suficientes, a marca tem de ser friamente planejada para deixar uma mensagem. Que mensagem?
Escrever pra expressar o calor das emoções!
Escrever... Pra nada.
Por que sim.
Eu não tenho motivos pra isso que faço. Acho que eu gosto de divagar, gosto de comunicar, gosto da atenção também. Mas é tão pretensioso, não? Dizer algo sobre alguma coisa quando nada tem base. Não tem como acertar. Não tem sentido, não gera nada. Então não faço. Porque só se faz o que gera resultados. Se não gera é perda de tempo.
Escrevo pra cometer o crime de perder tempo. Pra deitar na grama verde da minha mente e perceber como as nuvens dos meus pensamentos se transformam rapidamente. Escrevo pra me confundir com essas mesmas nuvens, e depois da tempestade não acreditar que aquilo tudo que foi dito saiu de mim.
Escrevo porque a vida é doida.
Escrevo porque estou entendiada. Pra tentar encontrar a lógica não encontravel do ser.
Não sei.

Comentários